domingo, 13 de junho de 2010

Materiais têxteis: Nãotecido

Na coleção, gostaríamos de dar volume às flores de alguns maiôs, vestidos e biquínis. O material que utilizaríamos seria o nãotecido de filamentos contínuos de poliéster dublado, por um sistema de passagem de ar quente. Segundo a norma NBR 13370 da ABNT o nãotecido é “uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras ou filamentos, orientados direcionalmente ou não consolidados por processos mecânicos (fricção) e /ou químico (adesão) e /ou térmico (coesão).”

Pode ser produzido via método seco ou úmido. O método úmido utiliza fibras muito curtas em suspensão em água, que são depositadas em esteiras, que escoam a água, formando a manta. Depois, esta manta é consolidada – seja de forma química, mecânica ou térmica –, é secada e enrolada.
No método seco o que determina  a forma de produção é o tamanho da fibra, que pode ser curta (cortada) ou filamentos contínuos. As fibras curtas podem passar por dois métodos: cardagem ou deposição via fluxo de ar em esteira. A manta deve ser consolidada por método químico, mecânico ou térmico. Os nãotecidos de filamentos contínuos podem ser desenvolvidos por alguns métodos, mas no nosso caso srá o spunbonded.

Spunbonded
Neste processo o polímero em forma de chips ou pellets é aquecido até o ponto correto para fiação. Segundo Rewald (2006), os parâmetro de cada fibra devem ser respeitados. No caso do poliéster os principais parâmetros devem ser a viscosidade intrínseca (IV>=0,64), alta cristalinidade e umidade (<0,004%). Em seguida, a pasta é forçada a passar pelas fieiras com ajuda de uma bomba volumétrica. Isso forma os filamentos que são estirados com ajuda de uma corrente de ar, paralelas aos filamentos descendentes a partir das fieiras.
A próxima etapa, da formação da manta, pode ocorrer de diversas formas. Rewald (2006) comenta sobre 4 tipos:
1-    Os filamentos são mecanicamente estirados e distribuídos sobre uma esteira que passa por uma agulhadeira.  Quanto mais devagar o processo, mais pesado será o nãotecido
2-    Os filamentos são desviados por um defletor e depositados em uma esteira contínua perfurada. Em seguida são consolidados por cilindros aquecidos.
3-    Aplica-se nos filamentos uma carga elétrica a fim de auxiliar na dispersão e são consolidados por processo hidromecânico.
4-    Faz-se uso de uma fieira rotativa para dispersão de um filamento único. Este processo necessita de um ligante químico, secagem e polimerização.

Para a nossa coleção, utilizaríamos o processo que usa carga elétrica, principalmente pela consolidação. O processo hidromecânico dá um aspecto mais macio ao nãotecido, deixando-o mais bem acabado evitando danos as fibras. Nesse sistema, correntes de água em alta pressão e alta velocidade entrelaçam as fibras. O dispositivo é constituído de pequenos furos de diâmetro de 5 a 7 microns, com densidade de 30 a 60 furos por 25mm.  Os furos devem ser muito bem acabado e qualquer imperfeição pode ocasionar quebra da eficiência do jato. Os jatos são dispostos até 50mm de distancia da manta e a água utilizada deve ser tratada.

Uma esteira ou um tambor perfurados podem carregar o véu não consolidado. A água dos jatos atravessa o véu entrelaçando as fibras, sendo escoada pelos buracos da esteira/tambor. O tambor pode conter padrões que são marcados na manta, que no caso da nossa coleção, teria a forma de flores. Para a nossa coleção, a flor traria relevo, desta forma a gramatura teria que ser grande, o que o sistema da Appex consegue desenvolver, já que varia de 50 a 400 g/m2. Junto à esteira, há um sistema de sucção a vácuo da água para não prejudicar o funcionamento da máquina. Em seguida, a manta passa por tambores de ar quente para secarem.


Referências --------------------------------------------------------------
Rewald, G. F. Tecnologia dos NãoTecidos, Matérias-primas, processos, eaplicações finais. Editora LCTE, 2006.

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